Larissa – a chata, chegou como uma escola de samba, tamanho o barulho. Ela se achava muito importante mesmo, digna de queima de fogos por sua simples aparição! Ela foi entrando pela casa, como se fosse a dona, é importante ressaltar, e o escândalo aumentou quando colocou o olho em nós duas na varanda:
_Clara! Luiza! Como vocês estão lindas! Quanto tempo! Já conhecem o Bruno, meu amor? – sempre fiquei perplexa com a maneira desagradável, falsa e impositiva como Larissa fala com as pessoas.
_Olá Larissa! – respondemos em uníssono.
No momento em que a figura de Bruno apareceu na minha frente eu simplesmente levei um choque! Mal podia respirar, estaria eu tendo uma alucinação? Estava bêbada demais? Juro, se eu estivesse vendo uma foto, poderia afirmar com toda certeza de que era o Caio. Apostaria minha vida nisso. Pessoalmente poderia destacar pequenas diferenças, mas no primeiro olhar o cara era simplesmente idêntico a ele! A mesma cara séria, o jeito tímido e a postura quase militar para sorrir. A altura era a mesma, o corpo também e os olhos amendoados. Como Ana não tinha me atentado para este detalhe?
_Olá Bruno, que prazer vê-lo de novo, seja bem vindo. – Ana o recebeu com beijinhos no rosto e nós a imitamos.
_Boa noite meninas! Muito prazer, sou o Bruno. E estes são Silvia e Tomás e ali atrás, Fábio e Tatiana, meus amigos. – ele foi falando enquanto nos cumprimentava.
_Nossos amigos, não é amor? – Larissa ressaltou esse detalhe para mostrar a propriedade sobre Bruno.
_Er, claro... agora também são seus... Só quis dizer que eles fazem parte do meu grupo de amigos. – Gostei da forma como ele a respondeu e já lhe dei vários pontos de crédito por isso! Muito bom garoto, mostre a essa idiota o lugar dela!
Cumprimentamos os casais amigos de Bruno. Todos muito simpáticos, por sinal. Percebi que eles realmente não poderiam participar do mesmo grupo de amigos de Larissa. Aliás, com meia hora de conversa, percebi que eles estavam apenas começando a conhecê-la!
Silvia e Tatiana eram uns amores. Ultra-simpáticas e falantes. Não possuíam uma beleza extraordinária, mas não eram nada feias. Elegantes e educadas, no mínimo. Nada parecidas com Larissa – a chata.
Os rapazes também eram ótimos. Bastante sociáveis, faziam questão de elogiar a casa e a hospitalidade de Ana e David o tempo todo. Eram amigos de Bruno desde a faculdade e Tomás era sócio dele em vários de seus empreendimentos, que, aliás, consegui perceber, eram muitos.
Tão logo eles se instalaram, começamos um excelente papo com as garotas. Tatiana e Silvia eram médicas. Aquele assunto meio que me chamou a atenção.
_E vocês são amigas há muito tempo? – eu quis saber.
_Na verdade, não. Nos conhecemos através dos garotos. – Tatiana respondeu.
_Nossa, e que coincidência dois amigos namorarem duas médicas. –Ana comentou exatamente o que eu estava pensando.
_Todo mundo diz isso. – respondeu Silvia – mas Tati se formou em Ribeirão Preto e eu em Petrópolis, bem antes. Somos de gerações diferentes. Foi coincidência mesmo. E ela namora o Fábio há pouco tempo enquanto eu e Tomás estamos juntos há muitos anos.
O papo continuou e, claro, o fato de ter ouvido Silvia dizer que Tatiana havia se formado em Ribeirão me despertou ainda mais a atenção. Será que ela conhecia Caio? Ela parecia ter mais ou menos a mesma idade que eu e, portanto, a mesma idade dele. Eles podiam ter sido da mesma turma. Além disso, não conseguia parar de olhar para a fisionomia de Bruno, tão idêntica a Caio.
Quando Ana saiu em direção a cozinha para pegar alguns tira-gostos, me ofereci para ajuda-la, pois já não agüentava mais aquela agonia, precisava comentar aquilo com ela.
Assim que entramos na cozinha, fui logo gritando:
_Ana do céu, esse Bruno é idêntico ao Caio! Como você não me disse isso?
_Clara! – ela bateu com a mão na testa – É mesmo! Como eu não tinha reparado nisso antes! Me lembro que quando o conhecemos, no reveillon, o João comentou que ele parecia alguém, mas não conseguimos ligar a semelhança ao Caio! Claro, é igual mesmo! Por isso falei que tinha uma cara familiar!
_Familiar? Você tá brincando! Ele é muito igual... até o jeito de falar, a postura... e os olhos, Ana?!
_Nossa, é mesmo! Mas, e essa história dessa Tatiana ter se formado em Ribeirão, hein? Você pensou o que eu pensei? Vai ter coragem de perguntar?
_Claro que pensei, Ana! Mas não sei se tenho cara de perguntar! Aliás, não sei se quero saber notícias dele, sabe? Vai que eles são amigos! Vou estragar meu feriado com isso...
_”Não sei se quero saber!” Ai meu Deus, Clara! Como não sabe se quer saber! Só você mesmo para dizer uma coisa destas!
_Mas eu não sei mesmo!
_Mas eu sei que eu quero! E vou perguntar! Você acha que vou perder esta oportunidade? Ficou louca? Desde a última vez... – ela desistiu de completar a frase depois que viu minha cara murchar – Além do mais, a gente tem que se enturmar com esses amigos novos de Larissa, porque ela não vai gostar nada... – ela saiu pela tangente mudando o rumo da frase.
_Bem, esse é um lado interessante da história... mas então deixa que eu pergunto, na hora em que ela estiver perto.
Saímos da cozinha com alguns amendoins, queijos e batatas chips distribuídos em pequeninas vasilhas. Quando coloquei uma destas na mesa em que Larissa estava sentada com as meninas, percebi que era a deixa perfeita para acabar com meu tormento. Já iniciava o novo papo com um “Tati, você disse que se formou em...” Mas um novo buzinaço interrompeu minhas palavras. Eram os amigos de David. Já passava de 1h da manhã.
_Vejam, Pedro e Leo chegaram! Eles disseram que chegariam só amanhã! – David anunciou – esses dois insanos! Devem estar bebaços já!
Luiza e eu trocamos olhares aflitos! Estávamos super curiosas sobre os rapazes. Antes de manifestarmos qualquer palavra ou mudança de comportamento, David gritou:
_ Clarinha, prepara a maquiagem e bota pra quebrar! – todos riram e me senti envergonhada com a situação! Agora eu era a solteirona à procura do Carnaval. Virei chacota – eu pensei!
Mas em meio a todo meu embaraço e às gargalhadas que entorpeciam minha visão e minha audição e faziam minhas mãos molharem, uma voz grave e suave pronunciou:
_Mas com esses olhos e essa simpatia, ela bota pra quebrar de qualquer jeito! – era Bruno, me fazendo estremecer dos pés à cabeça, mas ao mesmo tempo me deixando eufórica pela ira que esse comentário fez surgir nos olhos de Larissa – a chata.
Gritinhos de “uhu” e “uau” deram lugar às gargalhadas e eu me senti quase petrificada pelo sorriso perfeito de Bruno com os olhos grudados em mim! Como ele podia ser tão igual ao Caio?
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