Finalmente consegui me mover e saí em direção ao banheiro, pensando: “Caio é tão tinhoso que mesmo à distância, consegue me atormentar. Maldita garrafa de ice!”.
Quando saí do banheiro, Pedro estava sentado num sofá de couro preto, no hall dos toaletes, me esperando, lindo, sorrindo, tarado, com duas cervejas geladas nas mãos.
Me aproximei e quando ia sentando ao lado dele, ele segurou meu quadril, bem próximo da minha bunda, e disse:
_Peraí, gata, vamos lá. Vi que vai começar um show sertanejo, vamos arrasar na pista de dança.
_Dançar? Eu e você? – Além de tudo ele gostava de dançar? Ai, meu Deus!
_Claro, Claríssima! Eu sei que você adora sertanejo e eu também, então vamos quebrar tudo. É Carnaval, se joga lindona!
Pronto. Foi dada a palavra de ordem que eu tanto precisava. Me jogar! E foi o que nós dois fizemos. Dançamos, cantamos, e muito, o show todo. Juntos, colados, nossos corpos grudados um no outro de suor e de tesão, claro. Pedro era um homem perfeito para uma noitada como aquela. Ele me rodopiava, me abraçava, me jogava e me beijava. Um cavalheiro e um ogro, tudo junto e misturado, ao mesmo tempo.
Estávamos nos acabando quando Luiza e Leo resolveram compartilhar do nosso “swing”. No bom sentido, é claro. Eles estavam há horas naquele clima “vai comer agora ou quer que embrulha?” e já tinha sentido que precisavam mesmo dar um tempo em tanto amasso. E acabaram se jogando também no show da tal dupla serteneja, cujo nome nem me lembro mais. E nos divertimos tanto nós quatro, meio bêbados, meio embriagados de “energia carnavalesca”, que o resto da madrugada simplesmente evaporou, como num piscar de olhos. Já passava das 4:30h da manhã quando lembramos de olhar o relógio e nem mesmo pequenos sinais de cansaço pareciam surgir em nossos corpos.
_Até que enfim encontrei vocês! E formando casaizinhos fofos, como eu previa. Ah meu Deus, se eu não me arranjo sozinho... – era David, que resolveu aparecer, com uma loiraça a tiracolo. Cara de modelo, linda, magra e alta. Com um vestido brilhante e em cima de um salto fino e gigantesco.
_E nós encontramos você! – soltou Leo, para não deixar barato. – Quem foi mesmo que sumiu? Você ou nós quatro que continuamos juntos?
_É claro que vocês quatro iam continuar juntos! – ele zombou.
_Na verdade, acho que fomos todos encontrados! Os cinco! – completou Luiza, para apaziguar.
Eu apenas sorria para a discussão porque estava entretida fazendo uma varredura completa da tal loira para arquivar tudo na memória de fofocas pro dia seguinte. E de repente tive um clique. No meio daquele papo bobo, percebi que Pedro ficara calado. Logo ele, que era tão falante. Em seguida, saquei que a tal loira e Pedro trocavam olhares estranhos, meio constrangidos, sei lá. Mas ninguém falou nada e também não percebeu nada, além de mim, é claro.
Imediatamente, Pedro me puxou com força pela mão e disse, ou melhor, decretou:
_Clara, vamos ao bar comigo. – não foi uma pergunta. E confesso que não entendi, na real, essa situação. O copo dele e o meu ainda estavam cheios. Além disso, durante toda a noite, ele fez aquilo sozinho. Por que, de repente, precisava da minha companhia ou ajuda para ir ao bar?
O radar interno se acedeu, mas me contive, claro. Nunca iria dizer que nossos copos ainda estavam cheios e nem mesmo perguntar ao Pedro qual era a dele com a loira de David. Até porque eu não estava tendo um ataque de ciúme repentino e sem cabimento, estava apenas curiosa, loucamente curiosa, mas só isso. Para quem parecia tão cafajeste e desapegado a mulheres, essa reação de Pedro me interessou.
Assim que pegamos novas bebidas e eu dei a entender que podíamos voltar ao grupo, ele me abraçou forte e emendamos um longo amasso, perto do bar mesmo. E isso foi suficiente para eu entender o recado. Manter distancia da loira!
Mas, pouco tempo depois, Luiza veio atrás de nós e comunicou que era hora de ir. Como estávamos no carro de Leo, acatamos a intimação e apenas me deixei envolta na aura de dúvida quando Pedro perguntou:
_E David? Vai com a gente também? Ou vai se resolver com a tal que ele pegou?
Luiza, sem perceber nada, claro, respondeu na maior cara de sonsa:
_Não, ela já foi embora, eu acho, bem quando vocês saíram. Ele também está aguardando vocês, vamos todos juntos.
Ah, essa era melhor que encomenda, porque nesse caminho de volta eu poderia descobrir coisas que me renderiam boas fofocas. Ou não...
_Então, é isso... a noite acabou, meninas! – Pedro disse enquanto passava seus braços fortes em volta dos meus ombros e de Luiza, enlaçando-nos, ao mesmo tempo. E não pude deixar de sentir uma atmosfera de alívio na voz dele.
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