domingo, 12 de setembro de 2010

Capítulo 8

_Clara, você vai ficar torrando nesse sol o dia todo mesmo? – Pedro foi se sentando e se intrometendo entre mim e Ana, encostando sua perna grossa e definida na minha fina e flácida. Um arrepio percorreu meu corpo.
_Não estou exatamente torrando no sol... – eu sorri sem graça – estou curtindo o passeio aqui de cima... vendo as pessoas nos bares, batendo um papo com minha amiga Ana, essas coisas. E, indiretamente, tomando sol. Sacou?
_Ah tá, saquei... está flagrando o movimento, vendo os gatinhos. – ele jogou um charme.
_Isso Pedro, vendo os rapazes solteiros de Condados... você pega tudo muito rápido – Ana falou ironicamente – aproveite, então, e faça companhia a ela enquanto eu dou um mergulho.
_Deixa comigo, Ana, eu faço companhia pra Clara agora. Ela estará em boas mãos, não se preocupe.
_Bem, se as mãos em questão forem as suas, não tenho tanta certeza de que minha amiga ficará bem, mas em todo caso, ela é maior de idade e vacinada, então... tchau. – Ana soltou essa e do fly-bridge mesmo deu um pulão na lagoa, fazendo com que a água ao redor da lancha ficasse muito agitada e cheia de ondas.
_Ah meu Deus, sempre me matando de vergonha essa pimentinha. Desculpe, Pedro. – eu disse meio tímida.
_Ela é uma garota verdadeira. Irônica, também, mas sincera, tenho certeza. – disse Pedro – Mas me diga, Clara, já viu alguma coisa aproveitável por aí, na sua avaliação? Já que desistiu de interagir com os outros amigos lá em baixo?
_Na verdade, Pedro, estou aqui mais para deixar meu ouvido longe da voz irritante de Larissa. – fiz questão de soltar essa informação pra não deixar nenhum tipo de dúvida sobre minha relação com ela.
_Epa! Então vocês não se batem muito, é? Sabe que já tinha percebido?
_Jura? O que exatamente você percebeu? – me mostrei curiosa por ele dizer isso, afinal homens não são dados a essas sutilezas e minha birra por Larissa não era assim tão descarada.
_Na verdade, o que reparei mesmo é que o namoradinho dela não desgruda os olhos de você e ela já bem percebeu isso. – Nessa hora eu juro que perdi a fala, quase engasguei com o gole de vodka que tinha acabado de por na boca. Como assim, Bruno me olhando?
_O quê?! Ficou louco, Pedro?! Eu nem conheço esse Bruno, conheci ontem, um pouco antes de vocês chegarem.
_Bem, quando e como vocês se conheceram não vem ao caso, mas que ele te deu umas encaradas de estremecer ontem à noite, ah... isso ele deu.
_Impressão sua... eu não percebi nada disso. – tentei disfarçar, mentindo, porque sei que ele me deu umas encaradas, sim. Assim como eu dei umas encaradas nele.
_Não foi impressão, tive certeza, porque eu também estava tentando fazer a mesma coisa. – ele disse isso com um sorriso de canto de boca, roçando a língua nos lábios safadamente que me fez quase soltar o copo no chão. Apenas sorri de volta e deixei o vento, que insistia em bater no nosso rosto, continuar o nosso diálogo.
Não trocamos mais muitas palavras diretas durante o resto do passeio. Apenas olhares e conversa fiada. Mas ele ter me dado essa cantadinha boba, já fez com que meu alarme interno da paquera se acendesse. E isso foi suficiente para que Lucas e Caio se evaporassem dos meus pensamentos durante o resto daquele dia agradável e ensolarado. Volúvel eu, não?
Nadamos, dançamos e tomamos caipivodka aos baldes antes de voltar para casa no finalzinho da tarde. Nosso grupinho teve uma interação bacana. Nos divertimos muito todos juntos, casados e solteiros. Inclusive com Larissa, que fazia questão de grudar no pescoço de Bruno sempre que qualquer uma das mulheres tentava conversar com ele, consegui disfarçar bem a irritação.
Ao chegarmos de volta em casa, sentamos todos à mesa para almoçar, apesar de já passar das cinco da tarde, e, inevitavelmente, David começou os questionamentos sobre a noite.
_E aí, galera, quem vai animar esticar mais tarde? Soube lá no bar flutuante que temos umas três festas bacanas esta noite.
_Três? Uau, isso aqui ferve mesmo, hein? _ Tomás comentou.
_Parece que tem uma boate itinerante no centro de Santa Fé, uma festa no clube aqui em Condados e outra na casa de um amigo meu. O que vocês sugerem?
_Você é nosso anfitrião e promoter. Estamos no que você estiver! – confirmou Bruno.
Para falar a verdade, meu plano ao vir para Condados nem era muito sair à noite. Aliás, nem roupa para isso eu tinha trazido na mala. Mas como ficar em casa não aumentaria muito minhas chances de dar uns beijos em Pedro ou em qualquer outro que se dispusesse a isso, logo concordei que deveríamos realmente dar essa esticada.
Luiza e eu trocamos olhares e já conseguimos sacar que ambas queríamos que a noite rendesse.
_Mas qual destas festas você acha que estará melhor? – Luiza quis saber.
_Ah, todas devem estar boas, Lulu, cheias de gente bonita e boa bebida. Mas acho que a boate itinerante deve bombar mais, se é que vocês me entendem. Parece que teremos rodízio de bandas lá, coisa assim. E uns djs metidos a besta também.
_Vamos então para a boate, ora! – Pedro decretou e sorriu lindamente para mim.
Eu e Luiza subimos para tomar banho e dar aquela descansadinha básica antes de emendar na noite e, na seqüência, Ana veio atrás de nós duas.
_Meninas, sei que vocês estão doidas para atacar Pedro e Leo, respectivamente, então não vão se importar se eu não sair com vocês mais tarde, certo? Estou com preguiça dessa “pegação” de carnaval, quero dar uma descansada, dormir cedo...
_Ah Ana, vamos sim, sem você não tem graça! – contestei – Tenho certeza de que João não vai se importar.
_Claro que ele não se importa com isso! Imagine!
_Então Ana, vamos! Vem com a gente! – Luiza emendou meu coro.
_Meninas, vocês vão se atacar no primeiro drinque, os outros estão em casal e só me sobrará de companhia David, que digamos, vai desaparecer em dois minutos. Além disso, prometi ligar pro João mais tarde e depois acho que vou dormir mesmo!
Tomamos banho e fomos confabulando sobre o que a noite poderia nos render. Deitadas em nossas camas, nós três gargalhávamos tanto que seria impossível alguém conseguir dormir nos quartos ao lado durante as duas horas seguintes. Ainda tentamos persuadir Ana mais algumas vezes para sair conosco, mas eu a conhecia o suficiente para saber que ela não iria, mesmo que fosse só para nos agradar.
Quando o relógio marcou 21:55h, Luiza se levantou aflita com o tempo que passou sem que tivéssemos percebido.
_Clara do céu, já é quase 22h, os meninos falaram pra gente estar pronta as 22:30h.
_Caramba, como perdemos a noção do tempo assim? Nem em mil anos consigo me arrumar nesse tempo recorde! Vocês duas falam demais!
Ana, então, mesmo com sua decisão tomada, ficou no quarto enquanto nos aprontávamos. Enquanto ficamos secando cabelo, procurando bijoux e coisas do tipo, como duas malucas, ela zombava, falando que esse era nosso “ritual de acasalamento”.
Loucamente me lamentando por não ter levado muitas roupas para noite, revirava minha mala a procura de algo adequado para sair em Condados, numa festa de Carnaval. Optei por um short jeans bem velhinho que eu tenho, mas que é a minha paixão e sempre me salva nessas situações porque tem um ar de chique-despojado e engana bem com um salto alto. Mas o problema era justamente aí. Eu não tinha levado saltos. Mas, graças a Deus, Ana existia na minha vida e o que era ainda melhor, calçávamos o mesmo número! Coloquei uma peep toe dela e me embrulhei numa blusinha preta de renda que era umas das peças mais “noite” da minha mala. E até que o resultado não foi ruim. Com um pouco de pó, blush, rímel e gloss, tudo ficou ainda melhor.
_Bem, acho que agora só faltam umas duzentas borrifadas daquele seu perfume doce e enjoativo e Pedro cairá aos seus pés! – soltou Ana, assim que eu saí do banheiro, entretida com um brinco, enquanto ela ajudava Luiza a fechar o zíper de seu vestidinho florido.
_Perfume doce e enjoativo? Você é quem é doce e enjoativa, Ana! Sua mala!
_E eu, meninas, como eu estou? Me digam! – quis saber Luiza, que estava como sempre linda, leve e com aquela carinha de menina inocente.
_Linda Lulu! – berramos juntas, eu e Ana.
David abriu a porta do quarto nesse momento e soltou com cara séria, impaciente, olhando pro relógio.
_Isso, lindas! As duas! E você também, sis. – virou-se para Ana. – Mas vamos logo, vocês estão atrasadas. Todo mundo está lá embaixo esperando.
_Simpatiquinho... – eu disse a ele cinicamente.
_Gente, calma, a noite é uma criança. – disse Ana
_E está apenas começando... – eu decretei.

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